Reposição de estoque no meio da feira
Acabou o produto e o evento ainda não. A decisão de repor ou não é rápida, mas o jeito como você registra essa reposição decide se o fechamento do dia vai fazer sentido ou não.
Escrito por Gabriel Simões
O ponto de partida
Reposição não é sobre ter errado a carga
É fácil sentir que precisar repor significa que a carga inicial foi mal calculada. Às vezes é isso mesmo. Mas com bastante frequência significa o contrário: a demanda foi maior do que o esperado, o que é uma notícia boa, desde que essa informação não se perca no meio da correria.
O problema nunca foi repor. É repor sem deixar rastro.
Parte 1
Como decidir se vale a pena repor
A conta é simples de enunciar, mesmo sendo feita no meio do rush: quanto tempo de evento ainda falta, contra quanto tempo o deslocamento pra buscar mercadoria consome.
1
Sobra bastante evento pela frente
Se um produto esgotou cedo e o público ainda está chegando, a reposição tende a se pagar. Cada hora restante é venda que fica na mesa sem ela.
2
Falta pouco pro encerramento
Perto do fim, o cálculo vira: o tempo gasto buscando mercadoria pode valer mais em venda dos outros produtos do que o produto que faltou. Aqui, geralmente compensa mais deixar faltar.
3
Quem vai buscar, e quem segura o ponto
Reposição custa uma pessoa fora do atendimento por um tempo. Se isso deixa o ponto sozinho no rush, o custo real da reposição é maior do que parece. Vale contar essa perda de atendimento na conta.
Parte 2
Por que a reposição precisa ser um registro separado
No fechamento, o que fecha a conta é comparar o que saiu, o que foi vendido e o que voltou: a mesma triangulação que decide se a operação deu lucro de verdade (veja o guia completo em como saber se deu lucro de verdade). Se a reposição entra misturada dentro do número da carga original, essa conta quebra de dois jeitos possíveis:
Parece que saiu mais do que saiu na primeira leva
A contagem de "quanto foi levado no começo" fica errada, e qualquer comparação com outra feira perde sentido.
Sobra uma quantidade que não bate com nada
No retorno, a contagem física não confere com o que a memória de todo mundo lembra ter saído, e aí uma reposição não registrada vira, sem querer, uma "divergência" que assusta sem ser vazamento nenhum.
A solução é registrar a reposição como o que ela é: um evento próprio, separado da carga original, mas que soma na carga total da operação. Ela não é uma operação nova nem um fato escondido; é mais mercadoria entrando no mesmo dia, com hora e origem próprias.
Parte 3
Quando não dá tempo de repor
Às vezes a resposta é simplesmente deixar faltar até o fim do evento. Não é uma falha: é uma decisão. E ela também vira dado valioso, desde que registrada: anotar a hora em que o produto esgotou mostra, no próximo evento parecido, que a carga daquele item pode começar maior.
O detalhe que mais se perde
É comum lembrar "faltou X no sábado passado" de cabeça, sem hora nem contexto, e essa lembrança solta não ajuda a decidir a próxima carga. O que ajuda é saber a que horas faltou, com quanto público ainda no evento. Sem isso registrado, o próximo planejamento continua sendo palpite.
A conta completa
Como saber se o food truck deu lucro de verdade
Antes de sair
Quanto levar de mercadoria pra feira sem sobrar nem faltar
Organização
Estoque de food truck: como organizar sem planilha
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